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Com a
perspectiva de traçar estratégias dentro da campanha pela
revitalização e contra o projeto de transposição do rio São
Francisco, mais de 80 pessoas, representantes de organizações,
movimentos sociais e povos tradicionais, de 11 municípios, de
Alagoas, Sergipe e Bahia, se reuniram, sábado e domingo, em Pão de
Açúcar (AL). O grupo pretende organizar ações para impedir a
construção de novas barragens.
A campanha popular envolve toda a Bacia hidrográfica e as
organizações reunidas traçam novas perspectivas, para os próximos
meses. A cidade escolhida para sediar o encontro é estratégica, por
figurar como uma possível área para construção de mais uma
hidrelétrica.
Os participantes são dos
municípios de Piranhas, Pão de Açúcar, Belo Monte, Palestina e Olho
D'água do Casado, em Alagoas, Porto da Folha, Monte Alegre, Nossa
Senhora da Glória, Poço Redondo e Canindé do São Francisco, em
Sergipe, Pedro Alexandre, na Bahia.
Entre os organizadores estão a Coordenação Nacional dos Quilombolas
(CONAQ), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Federação dos
Trabalhadores na Agricultura (FETAG) e Sindicato dos Trabalhadores
Rurais (STR) de Pão de Açúcar, Colônia de Pescadores de Canindé do
São Francisco (SE), grupo Caminhantes do Rio, Sindicato dos
Trabalhadores em Educação Básica de Sergipe (SINTESE) e Instituto
Palmas.
Alternativas e
números
As organizações e movimentos sociais defendem melhor distribuição da
água existente e a aplicação de tecnologias adequadas e de baixo
custo, para solucionar o problema do semi-árido. Apontam, por
exemplo, as alternativas apresentadas pela Agência Nacional de Águas
do Nordeste (ANA) para abastecimento em áreas urbanas e a as
alternativas para o meio rural, de convivência com o semi-árido,
organizadas pela Articulação do Semi-Árido (ASA).
As ações apontadas no Atlas
da ANA atenderiam 34 milhões de pessoas dos nove estados nordestinos,
mais o norte de Minas, ou 1.112 municípios com população acima de 5
mil habitantes, mais 244 municípios com população abaixo de 5 mil
pessoas, custaria R$ 3,6 bilhões, no total.
Em comparação,
o projeto de Transposição, apresentado e defendido pelo governo
federal, fala em atingir 12 milhões de pessoas de 4 estados do
nordeste ou 391 municípios, com o custo de R$ 6,6 bilhões, apenas
nos primeiros quatro anos.
Pão de Açúcar e o
projeto do governo federal
Pão de Açúcar foi escolhida para sediar o encontro por estar dentro
dos planos para construção de mais uma hidrelétrica, na região do
Baixo São Francisco.
As cidades da
confluência dos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia
sofreram os impactos irreversíveis após a construção da barragem de
Itaparica, o complexo hidrelétrico de Paulo Afonso e a hidrelétrica
de Xingó.
A cogitação da construção
de nova unidade geradora de energia elétrica na cidade ribeirinha,
existe pelo menos desde 2005, quando o projeto inicial fora vetado
devido ao alto custo: mais de R$ 1 milhão, segundo dados da
Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf).
O projeto
teria sido refeito, mas ainda estaria sem perspectiva de ser
aprovado e implantado.
A possibilidade de a unidade estar incorporada ao projeto de
transposição, do governo federal, existe pela necessidade da
construção de duas centrais elétricas para atender a obra.
Apresentada como solução para o problema, do chamado nordeste
setentrional, prevê a construção de dois canais para verter as águas
do rio São Francisco em direção aos estados do Ceará, Paraíba,
Pernambuco e Rio Grande do Norte. Os canais, leste e norte,
partiriam das cidades pernambucanas de Petrolândia e Cabrobó,
respectivamente.
Teriam que ser construídos
622 km de canais, 09 estações de bombeamento, 27 aquedutos e 08
túneis.
Entretanto o
rio não possui quantidade de água e não há produção de energia
elétrica suficiente para uma obra desse tamanho, de modo que seriam
construídos mais 35 pequenos reservatórios, cinco barragens para
aumentar o nível da água, além de duas centrais hidrelétricas, uma
com capacidade de produzir 40MW e a outra 12 MW.
Todo o investimento no
projeto está estimado no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC),
anunciado pelo governo federal no dia 22 de janeiro, desse ano e orçado
em R$ 6,6 bilhões, apenas para os primeiros quatro anos do projeto.
(Fonte: Ascom / Movimento
Articulação Popular São Francisco Vivo)
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